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Abantomisay, a aldeia perdida do embondeiro

March 20, 2020

 

PT: Abantomisay, a aldeia perdida do embondeiro

Esta aldeia é tão pequena e insignificante que não aparece no mapa, e como me foi comunicada sempre oralmente nem saberei com total certeza se será assim que se escreve. Quando digo pequena não terá mais que 30 palhotas, se tanto.
Como se chega aqui? Descendo de barco durante dois dias o rio Tsiribihina em Madagáscar.
Sabemos que chegámos pelo embondeiro espetado ali ao lado do cais de embarque que com o nível das águas durante a época navegável, serve para pouco mais que ir lavar a roupa. Aqui o calor abunda, os bancos de areia abundam cada vez, as crianças seguem o mesmo padrão. Esta é mais uma daquelas aldeias longe de tudo e de todos e dependente de um rio. Possui só uma escola primária que é pouco mais que 4 estacas, um telhado de zinco, um quadro e uma mesa. Aqui com o passar do tempo sinto-me cada vez mais integrado, as crianças e adultos já me conhecem quase como se fosse o tio vahaza (branco, estrangeiro). Aqui fala-se a língua do afecto e da brincadeira, aqui a escola por mais raquítica que seja, é valorizada e é-lhe dada toda a importância.
Aqui todo o recurso é pouco à nossa escala. Aqui prolongam-se tradições musicais e de dança com um pequeno grupo de crianças que é ensaiado por um dos anciões da aldeia. Aqui somos acolhidos por sorrisos e boa disposição desde o primeiro pé em terra, somos abafados por abraços, gargalhadas, saltos e pinotes, aqui somos novamente humanos de pessoas para pessoas, longe da azáfama da desconfiança citadina, aqui interessa estar com eles, com nós mesmos. O burburinho é grande, tudo passa depressa mas com a intensidade avassaladora que nos faz dizer, mas como? Como com tão pouco, de alguma forma se dá tanto? Como se digere? Com tempo?
Como é brutal, o poder contemplar o talento daqueles miúdos, como é tramado sentir que o talento vai ficar ali sem mais ninguém o apreciar. A vinda aqui é um constante repensar do que fazemos com a nossa vida, com os nossos talentos, como nos damos com os outros.
No regresso ao barco já ao fim da tarde, já não somos os mesmos, eles acompanham até à margem e ao afastarmo-nos fica a silhueta do embondeiro, da palhota e dos miúdos que dizem "veloma" (adeus em malgaxe).

 

EN: Abantomisay, the lost baobab village
 

This village is so small and insignificant that it does not appear on the map, and as it has always been communicated to me orally, I will not even know with complete certainty whether this will be how it is written. When I say small, there will be no more than 30 huts, if that.
How do you get here? Down the Tsiribihina River in Madagascar by boat for two days.
We know that we arrived by the baobab stuck there next to the pier that, with the water level during the navigable season, serves little more than going to do the laundry. Here the heat abounds, the sand banks abound each time, the children follow the same pattern. This is another one of those villages far from everything and everyone and dependent on a river. It has only one primary school which is little more than 4 stakes, a tin roof, a board and a table. Here, as time goes by, I feel more and more integrated, children and adults already know me almost as if I were the Uncle Vahaza (white, foreigner). Here the language of affection and play is spoken, here the school, however stunted, is highly valued and is given all importance.
Here, the whole resource is little to our scale. Here, musical and dance traditions continue with a small group of children who are rehearsed by one of the village elders. Here we are welcomed by smiles and good disposition from the first foot on land, we are drowned out by hugs, laughter, heels and jumps, here we are again human from people to people, away from the hustle and bustle of city mistrust, here it is interesting to be with them, with ourselves. The buzz is great, everything passes quickly but with the overwhelming intensity that makes us say, but how? As with so little, is it somehow so much? How is it digested? With time?
How brutal, the power to contemplate the talent of those kids, how it is plotted to feel that the talent will stay there without anyone else appreciating it. Coming here is a constant rethinking of what we do with our lives, with our talents, how we get along with others.
When we return to the boat at the end of the afternoon, we are no longer the same, they accompany us to the shore and when we move away, there is the silhouette of the baobab, the hut and the kids who say "veloma" (goodbye in Malagasy).

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