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Salama

March 17, 2020


PT: Salama

Apelidei de Begidro o reino do tabaco num texto anterior. Esta é a aldeia onde habitam, no meio do nada, mais de 1000 habitantes dependentes de um rio, o Tsiribihina. Ali, distante das estradas de asfalto e de bons acessos, a vida fervilha da margem do rio ao centro da aldeia onde se encontra o mercado, há palhotas e casas rudimentares um pouco por todo lado, assim como pequenos negócios familiares, pequenas mercearias, e pequenas gargotes malgaxes (tasquinhas locais).As crianças, mal te vêem a descer do barco, dão-te a mão e arranjas um amigo. Dali a nada não é só um, são muitos miúdos que te vêm conhecer e a querer brincar contigo. Infelizmente a escola não tem capacidade nem condições para tantas crianças, e muitas delas acabam por não ter assiduidade. Aquele escasso momento em que lá passa o viajante é a quebra da rotina das crianças e dos adultos.

 

Vamos caminhando por um caminho de terra até ao mercado, o frenesim das crianças trazem curiosos à porta das casas e das lojas. E neste entrecruzar constante vamos conhecendo mais um e outro e outro habitante da aldeia. O acesso ao mercado é rápido mas passa-se tanta coisa que os nossos sentidos são todos postos à prova, os ouvidos com a algazarra geral das crianças e a dada altura pela música que se ouve vinda de barracas do mercado, o tacto pelo trepar constante dos miúdos, a visão por todas as cores que nos entram pelos olhos, e o palato quando chegamos ao mercado e podemos experimentar os clássicos fritos malgaxes (batata doce frita polvilhada com açúcar, moufbales, peixe frito).

 

E foi ali perto da zona dos comes e bebes que encontrei esta vendedora, dona de uma pequena gargote, onde arranja qualquer coisa que se coma a quem passa. Hoje não tinha os filhos por perto para tomar conta, e podia estar mais desafogada nas suas tarefas.

 

O fogão do seu micro restaurante não é nada mais que um ou dois fogareiros a carvão, na realidade local é quanto baste para nos tornarmos empreendedores, homens e mulheres de negócios.Com a sua máscara de beleza feita com base em plantas locais, seguindo a tradição da etnia sakalava, uma das dezoito etnias de Madagáscar, preparava o restaurante para os primeiros clientes do dia.

 

Com a simpatia habitual malgaxe respondeu ao meu bom dia e ao meu pedido para a fotografar. E são pequenas situações assim que me fazem sentir humano, longe de desconfianças e de complicações, onde o simples conectar entre pessoas é fácil à distância de um curto "Salama", como quem diz olá.

EN: Salama

I called Begidro the tobacco kingdom in an earlier text. This is a village where in the middle of nowhere there are more than 1000 inhabitants dependent on a river, the Tsiribihina. There, far from the asphalt roads and good access, life is teeming from the river bank to the center of the village where the market is located, there are huts and rudimentary houses all over the place, as well as small family businesses, small grocery stores, and small Malagasy gargoyles (local taverns). As soon as children see you getting off the boat, they give you a hand and you get a friend. From now on, it's not just one, there are many kids who come to meet you and want to play with you. Unfortunately the school has neither the capacity nor the conditions for so many children, and many of them end up not having regular attendance. That scarce moment the traveler spends there makes it a break from the routine of children and adults. When we walk along a dirt path to the market, the frenzy of children brings curious people to the doors of houses and shops. And in this constant interbreeding we get to know one another and another and another inhabitant of the village. Access to the market is quick but so much is happening that our senses are all put to the test, our ears by the general noise of children and at some point by the music that is heard from market stalls, the tact of constant climbing from the kids, the vision for all the colors that enter our eyes, and the palate when we reach the market and we can try the classic Malagasy fritters (fried sweet potato sprinkled with sugar, moufbales, fried fish). And it was near the food and drink area that I found this saleswoman, who owns a small restaurant, where she can prepare anything to be eaten by those who pass by. That day she didn't have children around to take care of, and she could be more relaxed in her tasks. The stove in her micro restaurant is nothing more than one or two charcoal stoves. Indeed local reality is enough for these people to become entrepreneurs, businessmen and women. With her beauty mask made from local plants, following the tradition of the Sakalava ethnicity, one of the eighteen ethnic groups from Madagascar, she prepared the restaurant for the first customers of the day. With the usual Malagasy sympathy she responded to my good morning and to my request to photograph her. And these are small situations that make me feel human, away from suspicion and complications, where the simple connection between people is easy at a distance of a short "Salama", like someone who says hello.

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